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Periodo das chuvas: sofrimento e DESCASO POLÍTICO caminhando lado a lado

No período das chuvas, a preocupação dos orgãos de Defesa Civil estão voltadas principalmente para os moradores das áreas de riscos e consecutivamente aqueles que fazem suas moradias próxima aos ribeirinhos e nas encostas. Eu sei que todo ano vemos as mesmas histórias, lama, enxurradas e enchentes para todos os lados, perdas de patrimônios e até de vidas.

Mas o que fazer para minimizar os impactos impostos pela força da natureza? Alguns municípios fazem ações de defesa civil de forma saxonal. Entendem que  o trabalho não passa de assistencialismo barato, onde fazem mutirões, juntam voluntários, e distribuem cestas básicas e cobertores. Aproveitam das perdas “alheias” para calçarem plataformas políticas. E mesmo assim, este “espetáculo circense” com a vida humana, que ocorre todos os anos com data e locais marcados, só ocorre depois de muitas lamentações e lágrimas. Ou seja, depois do  leite derramado, isso não adianta.

É necessário um investimento sério, eficiente, compromissado e qualificado acima de tudo, que viabilize a execução durante o  ano inteiro. Isso implica ações preventivas, e não um simples efeito paliativo para enganar o povo e desestimular seus funcionários. As lonas espalhadas pelas encostas se revelam como máscaras festivas denunciando o fracasso da gestão em gerenciar os riscos, e o flagelo da população que se resigna em fazer sua manutenção.

Vigiar o leito do rio durante a madrugada, vira programa familiar, enquanto nossos representantes populares planejam e sonham com o reveilon a beira mar. Como se tragédia pouco fosse bobagem, estamos em vias de um período eleitoral…Período que faz os profissionais que trabalham com prevenção, socorro e resgate perderem o sono de tanto contabilizarem novos casos e novas vítimas recém nascidas de plataformas politiqueiras.

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Defesa Civil não se faz no período da tragédia,  ela previne e minimiza de forma profissional e eficiente, evitando assim perdas e danos. A conta é simples, é muito mais econômico prevenir que reconstruir, ou remediar.

Mecanismos de prevenção deveriam ser levados mais a  sério pelos responsáveis da governabilidade em nosso país. Os argumentos e as desculpas diante de tragédias são para mim a sombra da vergonha e da incompetência. Uns culpam o excesso das chuvas caídas no período, outros acusam os próprios moradores de ocuparem áreas de riscos, e por aí vai, é um festival de enganação. Um verdadeiro carnaval regado a muito sofrimento e dor da população exposta esse vexame.

Uns são grandeloquentes apenas nas palavras, mas não fazem absolutamente nada para mudar o rumo da história. É necessário que as autoridades assumam o seu papel pela qual foram destinados a fazê-la evitando que nesse período as mesmas histórias de dor, tristeza e perda de seres humanos sejam manchadas pela omissão e incompetência. A culpa é de todos.

No período das tragédias até as vítimas atingidas se tornam voluntárias em razão do sofrimento alheio. Quem não se emociona com resgates dos escombros de uma criancinha que está a horas soterrada?? Até profissionais da área são marcados pela emoção e pela perda. Quando um funcionário público comete algum erro no exercício de sua função ele tem que ressarcir os cofres do estado ou do município, mas quem vai pagar pelas vidas perdidas nas tragédias e dos seus patrimônios.

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Os moradores que ocupam as áreas de risco tem como parceiros, a conivência das autoridades, é claro que também são responsáveis na hora da tragédia pelos seus atos de coragem desenfreada e necessidade do lar. Pois o que se vê, é que ninguém quer se indispor com esses moradores, afinal nos períodos eleitorais, eles são as joias mais desejadas no momento das urnas.

É cômodo manter as famílias em situação de risco, resolvendo os problemas não haverá mais o que prometer.   Entendo que governar é antes de tudo, fazer a proteção das vidas humanas, é doação, é planejar e executar no universo coletivo. Custe o que custar. Uma vida para mim não tem preço.

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Como Bombeiro Militar e com quase 30 anos de serviço prestado a corporação, já ví o suficiente em dor para ficar repetindo as mesmas histórias que poderiam ser evitadas. Basta. Quantas vidas já ví morrendo debaixo dos escombros e toneladas de terra.

Precisamos enfrentar as tragédias das enchentes com a mesma seriedade e firmeza usadas para a proteção dos nossos bens adquiridos com tanta dificuldade. Precisamos ter consciência cidadã. Entender que nosso voto é uma arma valiosíssima, e que não está a venda, e que está chegando a hora de irmos a luta laçando mão deste trunfo de forma consciente.

Somos muitas vezes especialistas nos atos de altruísmo e caridade que movem nossos corações. Na  hora da dor, sentimos dor, diante da perda de vidas, nos tornamos impotentes. Mas o que fazer para evitar que esses eventos que são totalmente previsíveis, não venham a ocorrer? Na maioria das vezes, não conseguimos fazer o bem, até é claro quando o mal se instala em nossas casas e vidas.

– Não adianta colocar tranca em sua casa, depois que ela já foi arrombada.

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Obras inacabadas, sem garantia e qualidade eficiente de segurança, nos colocam angustiados no período das chuvas. A teoria evolucionista e a sociologia sugerem que quando um grupo é ameaçado, muitos de seus integrantes se unem para cooperar em escala muito maior do que a habitualmente  utilizada em situações normais. Mariana, pela sua própria geografia, possui áreas de riscos que podem comprometer as segurança de alguns moradores, assim  como qualquer municipio de nosso estado ou federação também sofre desse mesmo mal. Basta de ações politiqueiras.

Chega de benevolência e messianismo, está na hora de empoderar a população, principalmente a população carente que se abriga nas áreas de risco, que segurança é um direito, e não mais um gesto de caridade. Queira a Deus que no encerramento de minha carreira, não venha mais a contar histórias de dor e perda para meus leitores e amigos.

Encerro o meu desabafo com a certeza daquilo que disse o Apóstolo Paulo e faço das suas palavras o meu comprometimento com a sociedade que acredita em nós do Corpo de Bombeiros.  “Eu combati o bom combate, eu completei a carreira e guardei a fé.”

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