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Incêndio na Boate Kiss em Santa Maria (RS). (Foto: Germano Roratto/Agência RBS)

 

Por Sidiney Gomes – Diretor do Portal Mariana

Um incêndio na Boate Kiss, matou 232 pessoas (120 homens e 112 mulheres) e deixou 131 feridas na madrugada desse domingo (27) por volta das 2h30, na cidade de Santa Maria (RS). “São mais de 40 anos de serviço no Corpo de Bombeiros e nunca vi uma tragédia nessa proporção”, disse o Coronel Moisés da Silva Fuchs.

De acordo com informações preliminares, o fogo começou quando o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, que se apresentava no local, usou um sinalizador em uma espécie de show pirotécnico (Veja um exemplo no início deste vídeo da banda), as faíscas do sinalizador, atingiram o isolamento acústico do teto que começou a pegar fogo e as chamas se espalharam rapidamente no local. Em meio ao pânico proporcionado pelo incêndio, muitas pessoas não conseguiram acessar a saída de emergência. Pessoas se pisotearam e a cena foi comparada por alguns como um filme de terror.

De acordo com depoimentos de pessoas que se encontravam no local, durante o início do incêndio, alguns seguranças impediram a saída das pessoas por não terem ainda realizado o pagamento da conta(comanda), absurdo este, que será investigado pela polícia.

A boate recebia a festa “Aglomerados” dos estudantes de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia e mais dois cursos técnicos da Universidade Federal de Santa Maria. Segundo o Corpo de Bombeiros, o alvará do estabelecimento estava vencido desde agosto de 2012. Este documento serve para atestar as condições de prevenção e combate a incêndios do estabelecimento e o seu funcionamento dentro da normalidade de segurança nessa questão. Agora, depois da tragédia, várias prefeituras estão se manifestando, dizendo que vão fiscalizar as condições das boates.

O dono da boate e os integrantes da banda já foram ouvidos pela polícia. A investigação vai ficar a cargo da 1ª Delegacia de Polícia de Santa Maria.

Confira abaixo, depoimentos de pessoas que estavam no local durante o incêndio:

O estudante de medicina Murilo de Toledo Tiecher, de 26 anos, foi um dos primeiros a sair da boate, quando o incêndio começou. Ele conta que, inicialmente, seguranças tentaram impedir a saída dos clientes, mas logo perceberam a fumaça e liberaram a saída. Tiecher diz também que a saída foi dificultada por uma grade colocada perto da porta para organizar a fila de entrada.
“Eu liguei para os bombeiros, algumas pessoas tentaram voltar para pegar mais gente lá dentro, mas tinha fumaça e não dava para enxergar mais ninguém, era uma cortina de fumaça. A gente puxava as pessoas pelo cabelo, pela roupa, muita gente saía só de calcinha e cueca, muitas sem camiseta, talvez para se proteger da fumaça, e os bombeiros chegaram rápido e começaram a organizar e usar a mangueira”, diz.
Segundo Tiecher, muitas pessoas foram para a porta dos banheiros achando que era a saída da boate porque estavam desorientadas por causa da fumaça e acabaram ficando presas ali.

Fernanda Freire Gomes Bona, de 23 anos, fotógrafa oficial da boate, estava em uma área VIP próxima à saída quando o incêndio começou. O local tinha uma vista privilegiada da boate, permitindo não apenas que ela tirasse fotos, mas também que percebesse rapidamente o incêndio e escapasse do local em poucos minutos. A fotógrafa contou ter visto o vocalista da banda que tocava na boate usando uma espécie de luva de onde saíam fogos. As faíscas atingiram parte do isolamento acústico, e o fogo começou.
“Vi umas faíscas, mas achei que eram apenas os foguinhos da luva. Vi uma gritaria, achei que fosse alguma briga. Foi quando gritaram ‘fogo’, vi as pessoas correndo, vi a fumaça, e saí correndo.”
Fisicamente bem, sem nenhum ferimento, a jovem tenta saber notícias de amigos que estavam na boate e foram levados para hospitais. “Tinha muitas pessoas deitadas no chão, feridas, passando mal. Às 6h estavam falando que ainda tinha gente lá dentro. Só tinha uma porta, e ela era pequena, os bombeiros tiveram que quebrar uma parede.”

Jonathas Castilhos foi um dos primeiros a deixar a boate Kiss e ajudou a socorrer amigos e desconhecidos que necessitavam de atendimento. Ele lamentou a ação dos seguranças, que, segundo ele, trancaram a porta do local. “Dei sorte, estava perto da saída quando vi que começou o incêndio. Mesmo assim, os seguranças trancaram porque queriam as comandas. Eles abriram, mas ficou mais ou menos um minuto e meio trancado”, relata. Esse período com as portas do estabelecimento fechadas atrapalhou a evacuação da casa noturna, já que a fumaça tomou conta do recinto rapidamente, de acordo com Jonathas.

Shelen Rossi, de 19 anos, teve alta na manhã deste domingo. Mas ela ainda sente no corpo os efeitos do ar inalado do incêndio. “Quando soltaram o primeiro fogo, saí de perto do palco. Cheguei perto dos banheiros e todo mundo correu para perto da porta de saída, e os seguranças trancaram. Eu estava espremida na parede e só consegui escapar porque me puxaram. Fui engatinhando até a saída, com pessoas passando por cima. Estou com muita ardência na garganta e nos olhos por causa da fumaça”, relata.

A estudante Taynne Vendrúsculo diz que a fumaça se espalhou de forma tão rápida que apenas quem conseguiu deixar a boate nos primeiros minutos se salvou. “Nós estávamos em um local perto da porta de saída, então foi mais fácil para a gente poder sair, mas era um corre-corre, todo mundo empurrando, pessoal caindo no chão. [Foi mais fácil sair] só pelo fato de estarmos perto da porta de saída, ali num local que era mais próximo. Quem estava próximo ao palco, do outro lado, não teve condições de sair”, relatou.

A estudante Luana Santos Silva, de 23 anos, disse que o fogo se alastrou rapidamente pelo interior da boate. Ela afirmou que estava próxima à saída quando o fogo começou. “Nós olhamos para o teto lá na frente do palco e estava começando um fogo. Foi um amigo nosso que nos mostrou, aí nós começamos a cair. Minha irmã me puxou e eu saí arrastada pelo chão”, contou Luana.
Segundo a jovem, a fumaça se espalhou rapidamente. “Foi bem no início, foi só atravessar a rua e começou a sair fumaça. Aí começou a sair o pessoal desesperado e gente machucada. Era uma porta pequena para muita gente sair”.

Rodrigo, um dos seguranças da boate Kiss, descreveu o início do incêndio como “filme de terror”. Rodrigo contou que o fogo começou por conta de um efeito pirotécnico usado pela banda que se apresentava. “Estava acontecendo a festa com o show da Gurizada, quando eu vi eles foram fazer um show pirotécnico, com fogos, e aí a ‘faisqueira’ começou a pegar fogo no teto. Fomos pegar o extintor para tentar apagar, para ver se acalmava o incêndio, quando vejo já tomou conta do local”, disse. O segurança lembra que tentou ajudar, mas as pessoas ficaram desesperadas. “A gente pediu para as vítimas saírem, tinha bastante gente ali. No meio do tumulto, [elas] começaram a se pisotear, teve gente que não teve tempo de sair. A gente conseguiu resgatar algumas pessoas, mas algumas pessoas tiveram 80% do corpo queimado, não resistiram… teve colega nosso de trabalho que faleceu. [Situação de pânico] total. Só quem estava ali, viu. Filme de terror”.

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