Adimar (PTB) Bambu (PDT) Bruno Mol (PSDB) Cristiano Vilas Boas (PT) Daniely Alves (PR) Fernando Sampaio (PRB) Juliano Duarte (MD) Leitão (PNT) Marcelo Macedo (PSDB) Pedro do Eldorado (PR) Prof. João Bosco (PP) Raimundo Horta (PMDB) Tenente Freitas (PHS) Tião do Sindicato (PTC) Zezé de Nego (PTB)
 

Entrevista – Vereador Bambu (04/12/13)

6 de dezembro de 2013

 

entrevista-vereador-bambu-041213

Jamylle Mol – Do Portal Mariana

Portal Mariana: Por que o senhor votou contra o Projeto de Emenda à Lei Orgânica que altera os investimentos destinados à educação?

Vereador Bambu: A bancada de oposição reuniu e decidiu não votar favorável à diminuição. O artigo, em verdade, tem uma falha, já que determina que 30% da receita líquida serão investidos na educação, o que seriam 91 milhões, um valor absurdo. Hoje, não se pode usar os 30% dessa receita, porque, de todos os repasses federais, como o dinheiro que fosse para o SUS ou repasse de convênios, teríamos que retirar os 30%. Então, na verdade, há a necessidade de fazer uma alteração na Lei Orgânica. A oposição concorda com essa necessidade, mas também acredita que não se pode simplesmente tirar os 30% da educação. Queremos que seja 30% dos impostos arrecadados [e não da receita líquida] para a educação, o que dariam 2 milhões e 250 mil a mais no orçamento. O município tem um déficit muito grande com a educação e entendemos que esses 5% a mais são muito importantes.

Portal Mariana: Qual o prejuízo da população marianense caso a Câmara decida alterar o artigo 67 da Lei Orgânica?

Vereador Bambu: Por esse artigo, a Câmara tem a obrigação de dar publicidade aos projetos de codificação, projetos que alteram a cobrança de impostos, projetos que alteram a organização da prefeitura (cria cargos ou aumenta o número de cargos, por exemplo) e aos projetos estatutários para que a população tenha quinze dias para dar sugestões ao presidente. A justificativa para a alteração do artigo 67 é a de que ele atrasa o andamento das decisões, no entanto, todo projeto solicitado como urgente tem até 45 dias para ser votado, não justifica, portanto, tirar do cidadão a oportunidade de opinar sobre esses projetos.

Portal Mariana: Por esse Artigo, a população tem o poder de impedir a aprovação de determinado projeto?

Vereador Bambu: Ela não pode impedir, mas pode dar sugestões. Por exemplo: quando se aumenta os impostos, nada mais justo que a população tenha conhecimento e possa opinar a respeito. E pode, inclusive, haver uma pressão popular para que não aumente, essa participação é importante.

Portal Mariana: E como a população participaria?

Vereador Bambu: Podem ir à Câmara ou utilizar os outros vários meios de comunicação: o site, a ouvidoria, a tribuna livre… São várias ferramentas para dar sugestões e participar. Não se pode tirar do cidadão o direito de opinar, ao contrário, deve-se incentivar o uso desse direito.

Portal Mariana: Durante a última reunião, falou-se sobre um projeto que pretende diminuir o tempo entre uma reunião extraordinária e outra. O que o senhor pensa sobre isso?

Vereador Bambu: O que a oposição concorda é que se deve passar de uma para duas reuniões ordinárias semanais, não há a necessidade de se fazer reuniões extraordinárias. A reunião extraordinária, na verdade, é um instrumento utilizado pelo executivo para aprovar alguns projetos com mais serenidade, porque, nas reuniões extraordinárias, não se pode pedir vista ou adiamento de votação, então o projeto é empurrado goela abaixo, sem uma análise profunda. É uma estratégia utilizada, uma manobra.

Portal Mariana: Na última reunião, o senhor disse que a Câmara tem virado motivo de chacota nas ruas. Por que o senhor pensa dessa forma?

Vereador Bambu: Não sou só eu que penso isso, na verdade. Várias pessoas que acompanham os trabalhos da Câmara têm falado com os vereadores sobre isso. Isso se dá porque muitos projetos não são debatidos da maneira como deveriam ser e acabam sendo decididos em uma única discussão e votação. Para a população que acompanha, a Câmara está se tornando homologatória, para tudo que nos chega, a resposta é “sim, senhor!”.

Portal Mariana: O senhor já tem anos de Câmara, essa situação está pior agora ou já é uma característica da política marianense?

Vereador Bambu: Piorou agora. E é muito ruim para a cidade a não-oposição. É importante a existência de uma oposição que mostra as falhas e tenta corrigi-las. O executivo tem que aproveitar as críticas da oposição e consertar o governo, isso é bom para a cidade. É muito ruim para uma Câmara ter 2/3 dos vereadores favoráveis ao governo, por isso, penso que a população errou nessa escolha. Se fôssemos seis vereadores hoje na oposição, os projetos seriam mais debatidos. A gente não quer fazer oposição por oposição, fazemos uma oposição sadia, que ajuda a cidade. Nós temos um orçamento maravilhoso, a qualidade de vida em Mariana poderia estar muito melhor.

Portal Mariana: É difícil ser oposição em Mariana?

Vereador Bambu: É, porque há muitas pessoas que pensam ainda como nos anos sessenta, nos tempos negros da ditadura, pessoas que têm a cabeça pequena. Contrariar a vontade de quem se sente o dono da situação não é fácil. Eu estou muito decepcionado com a política, os jovens têm uma missão muito grande: fazer com que as pessoas honestas entrem na política, pessoas que se preocupem com o coletivo e não com o próprio bem-estar. E, às vezes, eu percebo que, quando se é honesto, muitos pensam que se é idiota. Muitas vezes, o próprio povo pensa que o político tem que levar vantagem em tudo.

Portal Mariana: Durante a última reunião da Câmara, o senhor teve um desentendimento com o Presidente da Casa, o vereador Bruno Mol, que, inclusive acusou a oposição de ser perseguidora. O que o senhor pensa sobre isso?

Vereador Bambu: Eu acho que ele foi muito infeliz nessas colocações, porque, em momento algum, a oposição perseguiu alguém, aliás, a oposição tem contribuído para o governo e cobrado o cumprimento da legislação. No entanto, em plenário, acontece muito disso, lá é o palco do debate. No entanto, não se pode misturar as coisas: quem entrou na vida pública, tem que aceitar, mas a família não entra nisso, tem que separar o político do pessoal.

Veja a matéria que originou a entrevista nesse link.

Foto: Portal Mariana

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